Conheça os 3 tipos de endometriose e como tratar!

útero com endometriose

O endométrio é o tecido que reveste o útero. Durante o ciclo menstrual normal de uma mulher, ele cresce e descama originando a menstruação. Caso ocorra a concepção, esse tecido não será expelido e passará a abrigar o óvulo fecundado que, posteriormente, dará origem ao bebê.

Ainda não se sabe ao certo o motivo, mas algumas vezes o endométrio pode se inserir na parede de outros órgãos, como o peritônio, ovários, bexiga e intestinos. Nesse caso, trata-se da endometriose. Essa doença é classificada em diferentes tipos, dependendo do órgão que é acometido.

A endometriose não é incomum. Acredita-se que 10 a 14% de todas as mulheres em fase reprodutiva (19 a 44 anos) e 25 a 50% das mulheres consideradas inférteis sofram com essa doença. No mundo, mais de 70 milhões de mulheres são acometidas pela endometriose, sendo esta a grande causa de hospitalização ginecológica.

Tipos de endometriose

Em 1997, foi proposta que a endometriose fosse dividida em três tipos: endometriose superficial ou peritoneal, endometriose ovariana e endometriose profunda. Cada tipo acomete um local, em certo nível de acometimento do órgão e com determinado grau de agressividade.

Endometriose superficial ou peritoneal

Nesse tipo de endometriose, o tecido vai se implantar na superfície do peritônio e dos órgãos abominais (ou seja, os órgãos do sistema digestivo). Dependendo do grau de extensão, até mesmo o diafragma pode ser atingido.

As lesões podem aparecer como manchas vermelhas (ainda ativas), pretas (começando a sarar) e brancas (já em fase de cicatrização). Como muitas vezes estão localizadas na superfície de órgãos importantes como o intestino e o ureter, seu tratamento clínico e cirúrgico deve ser cuidadoso.

A endometriose superficial pode apresentar fortes cólicas, irregularidade no ciclo menstrual e dificuldade para engravidar. O médico pode não conseguir visualizar as lesões por meio do exame, sendo necessária uma videolaparoscopia para obter o diagnóstico definitivo.

Endometriose ovariana

A endometriose ovariana estimula a formação de cistos amarronzados denominados endometriomas. A razão para adquirirem essa coloração é a presença de sangue bem espesso e envelhecido em seu interior.

Cada mulher desenvolve cistos de diferentes tamanhos que, quando muito grandes, são capazes até mesmo de alterar a conformação anatômica do órgão. Os cistos podem ser facilmente vistos por meio de um exame de ultrassom.

É comum associar a formação dos cistos com a endometriose ocorrendo em outros locais, como bexiga e uretra. Nesse caso, há risco de formação de aderências entre os órgãos acometidos e outros órgãos saudáveis.

Em muitas situações, a paciente não apresenta nenhum sintoma e o diagnóstico só pode ser feito por meio de um exame de rotina. O tratamento da endometriose ovariana é realizado por meio de cirurgia laparoscópica.

Endometriose profunda

A forma mais grave da doença é a endometriose profunda. Ela ocorre quando os implantes de endométrios possuem mais de 0,5 cm de espessura, envolvendo profundamente a parede dos órgãos acometidos.

A endometriose profunda pode acometer ligamentos uterinos, região retrocervical, intestino grosso e delgado, bexiga, ureteres e reto. Esse também é o tipo que causa mais alterações na qualidade de vida e compromete a fertilidade.

Os sintomas mais comuns são: dor extremamente forte, cólicas intensas, desconforto durante a relação sexual, dificuldade de evacuar e inchaço abdominal.

Assim como nos outros tipos de endometriose, o médico deve estar atento ao exame físico e avaliar o ultrassom endovaginal, o exame ginecológico e os marcadores laboratoriais para prosseguir com o diagnóstico. Em caso de endometriose profunda, o toque retal é de fundamental importância para a avaliação clínica.

O tratamento é realizado com anti-inflamatórios e anticoncepcionais, que não promovem a cura da doença. Em casos mais graves, pode ser realizada a retirada cirúrgica dos implantes de tecido endometrial.

A endometriose é uma doença comum que afeta o bem-estar de muitas mulheres. Identificou alguns dos sintomas citados aqui? Procure seu ginecologista de confiança para fazer uma avaliação e melhorar sua qualidade de vida! E o mais importante: nunca inicie o uso de medicamentos sem consultar o seu médico.

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Formado pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) e com Pós Graduação em Reprodução Humana, no Hospital Antoine Béclère, em Clamart, França, o Dr. Augusto Bussab dedica-se desde 2006 em sua clínica a ajudar mulheres no sonho de ser mãe.

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