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O que é TESE e Micro-TESE e qual sua importância para a reprodução assistida?



"TESE e Micro-TESE são técnicas cirúrgicas para coletar os gametas masculinos diretamente dos testículos em homens com azoospermia não-obstrutiva."

por Dr. Augusto Bussab

O que é TESE e Micro-TESE e qual sua importância para a reprodução assistida?

A fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) causou mudanças significativas no tratamento da infertilidade masculina. O procedimento permite a injeção de um único espermatozoide diretamente no óvulo, aumentando as chances para uma gravidez bem-sucedida.

TESE e Micro-TESE são técnicas cirúrgicas para coletar os gametas masculinos diretamente dos testículos em homens com azoospermia não obstrutiva, ou seja, que não produzem ou têm baixa produção de espermatozoides.

A azoospermia é uma condição que afeta cerca de 15% dos homens inférteis e é classificada como não-obstrutiva e obstrutiva. Ambas são caracterizadas pela ausência de espermatozoides no sêmen ejaculado.

Neste post, vou explicar o funcionamento desses dois procedimentos, importantes para aumentar a possibilidade de encontrar espermatozoides viáveis em pacientes com azoospermia não obstrutiva.

Azoospermia não obstrutiva e obstrutiva

Classificada como não obstrutiva e obstrutiva, a azoospermia também é dividida em categorias.

Relatada em cerca de 60% dos pacientes azoospérmicos e 15% de todos os homens inférteis, a azoospermia <não obstrutiva pode ser pré-testicular – provocada por baixos níveis hormonais, problemas genéticos, distúrbios do hipotálamo ou glândula pituitária – ou, testicular, quando danos nos testículos impedem a produção normal de espermatozoides.

A azoospermia testicular pode ser causada por diferentes condições:

  • Infecções no trato reprodutivo;
  • Doenças infantis na puberdade, como a caxumba;
  • Lesões na virilha;
  • Neoplasias e seus tratamentos;
  • Varicocele;
  • Genética;
  • Doenças como o diabetes, a cirrose ou a insuficiência renal.

Já a azoospermia obstrutiva é definida como pós-testicular. Ocorre quando uma obstrução no trato reprodutivo impede que o espermatozoide seja transportado para o líquido seminal. É relatada em cerca de 40% dos homens com azoospermia.

O que é TESE e como funciona o procedimento?

TESE (testicular sperm extraction) ou extração de espermatozoides dos testículos é um método cirúrgico aberto para a extração de espermatozoides testiculares de homens inférteis, indicado principalmente nos casos de azoospermia não obstrutiva. Os espermatozoides são extraídos a partir de uma biópsia do tecido testicular.

A coleta é feita geralmente a olho nu e o procedimento pode ser realizado em ambiente laboratorial, com o uso de anestesia local.

Para que os espermatozoides sejam extraídos, é feita uma incisão na bolsa que envolve os testículos, expondo-os. São coletados então fragmentos dos túbulos seminíferos para análise. Se não forem identificados espermatozoides, são feitas novas análises em outras áreas do mesmo testículo ou do outro.

O procedimento é finalizado com a recolocação do testículo na bolsa testicular e o fechamento de todas as camadas.

O êxito apontado por estudos para recuperação de espermatozoides com a utilização da TESE é de aproximadamente 40%, com biopsia única. Já as chances de gravidez para os casais que se submeteram ao tratamento de FIV com ICSI utilizando TESE é de 37%.

O que é Micro-TESE e como funciona o procedimento?

A Micro-TESE (microsurgical testicular sperm extraction) ou extração de espermatozoides testicular microcirúrgica também é uma cirurgia de biópsia testicular aberta, similar à TESE, cujo princípio baseia-se na realização de biópsias testiculares dirigidas por microcirurgia.

O que diferencia os dois procedimentos é a utilização de um microscópio que permite aumentar em até 25 vezes os túbulos seminíferos.

A Micro-TESE é considerada o método padrão-ouro para a recuperação de espermatozoides cirúrgicos em pacientes com azoospermia não obstrutiva. Foi descrita pela primeira vez em 1999 e representa uma evolução da TESE convencional.

Durante o procedimento, com o uso de um microscópio operacional, é possível identificar e extrair seletivamente túbulos seminíferos, que têm maior probabilidade de abrigar os espermatozoides. É idealmente realizado sob anestesia geral, em ambiente hospitalar.

A técnica pode melhorar a taxa de recuperação espermática em comparação com a biópsia convencional de TESE, além de ser menos invasiva e evitar danos aos vasos testiculares. Permite, ao mesmo tempo, a extração de uma quantidade menor do tecido e, consequentemente, menor prejuízo à estrutura dos testículos.

De acordo com estudos publicados pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), o percentual médio de recuperação de espermatozoides pela Micro-TESE em pacientes seis meses após a realização da TESE foi de 83% e 67%, respectivamente.

Quando TESE e Micro-TESE são indicadas?

Ambos os procedimentos fazem parte do tratamento de FIV com ICSI, em que um único espermatozoide previamente selecionado é introduzido dentro do óvulo para que haja a fecundação.

São indicadas para casais inférteis, em que o problema é provocado por fator masculino causado por azoospermia não obstrutiva.

Os espermatozoides extraídos podem ser utilizados a fresco ou congelados para procedimentos futuros. No primeiro caso, entretanto, a coleta dos gametas masculinos deve estar articulada com a dos gametas femininos, que envolve também a estimulação ovariana.

Somente após a seleção dos melhores gametas (espermatozoides e óvulos) é que acontece o processo de fertilização.

Após a fecundação, os embriões poderão ser transferidos para o útero em dois estágios: o de clivagem, também chamado D3, que acontece entre o segundo e o terceiro dias de desenvolvimento; e o de blastocisto, entre o quinto e sexto dias, quando já há um maior número de células formadas.

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